terça-feira, 7 de junho de 2011

Mercado do luxo brasileiro em ascensão

O mercado do luxo brasileiro segue em expansão e vislumbra um cenário bastante positivo para 2011. A projeção de crescimento para este ano é de 33%. Com faturamento de US$ 8,94 bilhões (15,73 bilhões de reais) em 2010, o setor cravou alta de 28% em relação a 2009. Os resultados fazem parte do estudo “O mercado do luxo no Brasil – ano V”, iniciativa conjunta da GfK Brasil e MCF Consultoria & Conhecimento.

A pesquisa mensura o tamanho do mercado do luxo brasileiro, avalia o desempenho e as perspectivas do setor e procura conhecer o montante dos investimentos feitos desde 2006. A quinta edição da pesquisa foi realizada entre abril e maio de 2011, contando com a participação de 79 empresas do segmento de luxo, de um universo identificado e apontado pela MCF de 230 empresas operantes no Brasil.

Um Setor Bastante Promissor

O cenário brasileiro para o mercado do luxo está entre os mais promissores do mundo. O bom momento econômico pelo qual o País passa nos últimos anos tem refletido diretamente no fortalecimento do setor que, de 2006 a 2010, registrou um aumento de 129% em dólares e 87% em reais, montante que tem sido revertido em constantes investimentos.

No ano passado, as empresas investiram o equivalente a 21% do seu faturamento, com os valores saltando de U$ 1,24 bilhão em 2009, para US$ 1,89 bilhão em 2010. Para este ano, com a otimista projeção de crescimento do setor, a expectativa de investimentos é da ordem de U$ 2,57 bilhões.

Entre esses investimentos, aparece com destaque o uso das redes sociais. Mais de 60% das empresas afirmam utilizar as redes para fazer divulgações. O Facebook se destaca como a mídia preferida, citado por 98% das empresas que usam mídias sociais, seguido pelo Twitter, usado por 71% delas.

A pesquisa constatou ainda que tem sido dedicada importante atenção à profissionalização do quadro de pessoal, mostrando que a necessidade de treinamento e capacitação de mão de obra parece ter sido assimilada pelas empresas.

O aumento do salário médio de funcionários em 2010, que subiu para R$ 4.080,00 ante os R$ 2.762,00 de 2009, refletiu a necessidade de atrair vendedores mais qualificados a partir do retorno financeiro. No entanto, há ainda uma diferenciação bastante alta entre quem trabalha em empresa brasileira, cuja média salarial é de R$ 3.231,00 e em estrangeira, de R$ 5.083,00.

“O público do Luxo é bastante exigente, quer atendimento personalizado e diferenciado. As últimas pesquisas reforçavam a importância de vendedores qualificados. Os resultados desta edição, então, mostram que as empresas estão valorizando a capacitação e o aperfeiçoamento do seu quadro de funcionários para acabar com esse gargalo”, destaca Paulo Carramenha, diretor Presidente da GfK Brasil.

Para Carlos Ferreirinha, presidente da MCF Consultoria & Conhecimento, o atendimento é um dos principais valores reconhecido pelo consumidor do mercado do Luxo. “Nada mais propício, então, do que as empresas reconhecerem essa necessidade de motivar os vendedores a se ajustarem à capacitação profissional de suas equipes de atendimento para garantir um relacionamento diferenciado com seus clientes”, analisa.

Luxo em Expansão pelo Brasil

A pesquisa destaca ainda que 67% das empresas entrevistadas consideram como principal obstáculo para o crescimento da marca a tributação elevada no Brasil, número que cresce para 73% entre empresas estrangeiras.

E revela também que as empresas têm intenção de expandir suas marcas para fora do eixo Rio-São Paulo. A cidade de Belo Horizonte (MG) é uma das que despontam na rota de investimento das empresas, apontada por 34% em 2010, alta de cinco pontos percentuais em relação a 2009 (29%).

Sem considerar São Paulo e Rio de Janeiro, Belo Horizonte é também classificada como uma das cidades mais promissoras para o mercado do Luxo, embora Brasília (42%) continue liderando o ranking. Em 2009, BH foi indicada por apenas 4% das empresas, número que saltou para 19% no ano passado. Curitiba também aparece na lista das cidades promissoras, pulando de 7% para 13%.

Compõem ainda a lista de cidades mais promissoras para a expansão do mercado do Luxo: Salvador (4%) e Recife (3%). De acordo com os executivos, o aumento de unidades de lojas será pulverizado entre São Paulo (+66%), Rio de Janeiro (+44%), Brasília (+37%) e Belo Horizonte (+34%), além de Curitiba e Porto Alegre (22% cada), que se mostram como nichos providenciais para o mercado do Luxo.

“Há uma grande potencial de crescimento para o mercado do Luxo no Brasil. Esta é uma tendência que se confirma nos resultados que a pesquisa tem apontado nesses últimos cinco anos, sendo que este ano o destaque é a cidade de Belo Horizonte como o principal destino de expansão das marcas”, completa.

Mesmo com a perspectiva de aumento dos investimentos com intenção de abertura de novas lojas, a crise financeira mundial, que teve seu ápice em 2009, ainda é considerada uma ameaça pelos dirigentes do setor, embora em níveis mais baixos. Na pesquisa de 2009, a crise era motivo de preocupação para 74% das empresas, no ano passado o índice caiu para 70%. As empresas estrangeiras, no entanto, são as mais otimistas em relação a esse aspecto.

“O Brasil é um País muito bem visto para os negócios pelas empresas estrangeiras. Como a crise não chegou a atingir o País de forma tão intensa, é natural que as multinacionais estejam mais confiantes em relação à crise econômica que atingiu principalmente os países considerados de Primeiro Mundo”, avalia o Diretor Presidente da GfK.

Retomada do Setor

A quinta edição do estudo realizado pela GfK e MCF mostra uma recuperação em relação ao valor do tíquete médio gasto pelos clientes do Luxo. Ao comparar os anos de 2009 e 2010, verifica-se uma alta bastante expressiva, com os valores passando de R$ 2.726 em 2009, para R$ 4.710 no ano passado.

Para Ferreirinha, isso sinaliza uma recuperação do mercado, que teve um crescimento abaixo do esperado em 2009. “A previsão para 2010 era de 22% de crescimento e foi superada pelo setor, atingindo 28%, o que garantiu a recuperação da atividade em patamares de resultados no mesmo nível que antes de 2008”, destaca.

No entanto, de acordo com Paulo Carramenha, da GfK, para ampliar sua atuação e manter a tendência de crescimento, as empresas precisam direcionar suas estratégias para alguns determinados públicos, como a Terceira Idade e os mais jovens.

“A maior longevidade do brasileiro e a melhoria de condições financeiras da população mais velha elevam em muito sua capacidade de consumo. Outro público a ser considerado é o de clientes mais jovens, que ainda é pouco explorado pelo setor. A estratégia para atingi-los deve ser baseada em ambiente virtual e a expansão de investimentos em mídias digitais – por exemplo: redes sociais e sites de relacionamento”, analisa Carramenha.

Democratização do Luxo

Embora estima-se que o mercado do Luxo esteja restrito a apenas 2,5% da população, o que representam cerca de 4,8 milhões de pessoas, os empresários do setor parecem mais adeptos à democratização do acesso às marcas e defendem que para ser de Luxo uma marca não precisa ser exclusiva e de difícil acesso.

Das empresas entrevistadas, 44% concordam que o Luxo não precisa mais ser exclusivo e 71% acreditam que a tendência atual do Luxo no Brasil é a democratização do acesso, mesmo que, para alguns, exista a necessidade de se criar novas marcas ou submarcas. Ainda, de acordo com o estudo, 46% dos dirigentes de empresas do setor do Luxo acreditam que para se expandir no Brasil devem tornar acessíveis produtos e serviços às classes aspiracionais.

“O mais interessante é que 70% discordam que uma marca só será de Luxo se for exclusiva, de difícil acesso e restrita, confirmando um dilema vivido pelas marcas no sentido de ampliar a sua participação. Atingir a classe média alta seria uma possibilidade enorme de crescimento para as marcas em um curto espaço de tempo”, avalia Carramenha.

Benchmarks

Para o setor, a marca considerada benchmark nacional é a H. Stern, apontada por 18% das empresas em 2010, enquanto em 2009 o índice era de apenas 9%. Em seguida estão Fasano, 10%, e Osklen, 8%. Já o benchmark internacional, mesmo sofrendo uma queda de quatro pontos percentuais comparativamente a 2009, é a Louis Vuitton, citada por 14% das empresas.



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